quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pequena recordação

Queridas amigas e amigos,

agradeço as respostas!!!

(Essa era uma mensagem de agradecimento ao Eros, ao Ricardo, ao que se assina “Quero sua mulher!” (eheh) e aos demais amigas e amigos deste blog. Mas ficou tão grandinha que virou uma história. E nem é história, é recordação!) bjos

Confesso, coisa de anos. Fomos eu e meu pai a uma praia no ES. Praia com um morro rochoso perto, formando uma espécie de grande ferradura num canto da areia. Sentamos lá, meu pai a ler uma revista. Lá por perto já estavam um rapaz e sua namorada, esta, lembro, muito branca. A garota começou a dormir. Meu pai distraído a ler.

Eu olhava o mar muito azul. Mas tive aquela sensação de mosquitinho incômodo – aquela que a gente tem quando alguém observa a gente. E olhei e vi. O garoto fixava os olhos o tempo todo em algum lugar. Algum lugar que logo entendi ser meus jovens seios. E olhava e reolhava, como jogo da seleção. Resolvi ignorar o rapaz.

Meu pai se levantou para tomar banho. Notei que, assim que o meu pai ficou longe, lá cortando as ondas, um movimento discreto e firme me vinha da direção do casal. A curiosidade foi maior, olhei. E vi de novo: O cara tinha tirado tudo para fora e percorria sua mão direto, subindo e descendo, o olhar me lambendo mais que nunca.

No primeiro segundo, fiquei constrangida. Um estranho, fazendo aquilo perto de mim. Imbecilóide, pensei. E ao lado da namorada!

Meu pai, que adorava água, demorava. E isso me deu tempo. Olhei de ladinho. O garoto continuava. E aquilo seguia erguido, orgulhoso como um atleta apontando o céu, perturbado apenas pela mão que ia e voltava. E o garoto, aham, decididamente não era mal-dotado, pelo contrário,era beeem digamos contemplado pela mãe natureza. Um pensamento bobinho me cruzou a cabeça: sabe quem, um passarinho me dizia, sabe quem fez isso tudo virar barra-de-ferro? Sabe por causa de quem isso está desafiando a lei da gravidade? Por minha causa!

E senti, outro pensamento bobinho, orgulho. Eu era capaz de fazer aquilo com um homem – era EU que tinha feito aquele estrago todo. Eu podia, eheh. Quando se tem seus dezesseis, é uma descoberta.


Lembrei disso quando li o lindo resultado da enquete, de que vários cavalheiros se tornaram firmes e fortes, e fizeram concorrência à Danone no final, lendo meus continhos, eheh.

Beijos e beijos, Bia

segunda-feira, 11 de abril de 2011

GOZAR E TCHAU

span style="font-weight:bold;">O garotão-conhecido-na-academia vestindo só uns toques de água-de-colônia se debruçou sobre ela e ela quase tinha esquecido como era o peso-e-cheiro de um componente do sexo oposto. Somava sessenta a idade dos dois, sendo dezenove dele e o resto para ela. Quarenta e um mas com cintura nos conformes, do jeito que era dez anos antes. E por falar em passados, comemorava seis meses de separada.
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Lembrou disso exatamente enquanto via a cabeça avermelhada do rapaz brilhante pela borracha envolvida e desaparecendo entre a tira de pelos escuros entre suas coxas, o dono dela abrindo a boca e jogando o pescoço pra trás. Feliz aniversário – se disse.
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Convidara o garoto para uma pizza inocente, nada demais e quarenta minutos afastava as coxas para a entrada dele. Seguiam o ritual sai-e-entra, pontuado pelos gritos, roucos os dele, finos os dela, que se alternavam como num ensaio. Esquisito, pensou: depois de duas décadas abrindo as pernas para o mesmo, abrir as pernas para outro, e riu.
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Não se tocavam, ou quase. O rapaz se apoiava com as mãos no sofá vermelhaço, e se aproximava e afastava como fazendo exercício. Ela lhe apertava as nádegas, mas em geral só se tocavam no que interessava. Não havia amor, só vontade de devorar um ao outro. Experiência nova para ela. E não desagradável. Depois de anos de só-com-amor, experimentar uma gozar-e-tchau.
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O garotão não agüentou o calor e umidade dela e em meia dúzia de minutos uma faixa de creme branco lhe atingia até um bico rosado.
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Mas não foi tchau. Na hora do tchau ela já queria de novo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os três

Casal-dos-quarenta, nova fase, vontade de aventuras para a monotonia não mastigar tudo. Surge idéia; Por que não a três? No começo, divertido, ele ri. Por que não? Tudo abstrato, fantasia-para-transa.

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Mas um amigo apresenta um primo que tem outro amigo que tem um colega – e este último é perfeito – educado, não quer compromissos, idade certa e vinte centímetros bem contados. O marido não acredita: acaba de desligar o telefone onde chamava um homem para agasalhar-se na doce xoxota que ele desvirginara um par de décadas atrás.

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No Aphodit´s, nome idiota, quarto para três. O garotão não negou fogo. Os vinte eram vinte centímetros mesmo, à prova de qualquer régua. O marido pisca os olhos meia dúzia de vezes. Aquele é a mesma do casamento? Os olhos a brilhar como diamantes, os dentes da boquinha de batom-vermelho-putinha a rasgar o plástico da jontex, ela parece ter vinte anos a menos. Quase virgem. Ele não acredita, pensa ser sonho-quase-pesadelo, pisca mais quatro vezes para acordar.

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Não era. As mãos de unhas vermelhas empurram as tiras da tanga, as coxas se afastam, um triângulo de pelos marrons se define – e se aproxima da cabeça arroxeada do cara, bobalhão com o espetáculo, mas em perder a dureza. Dois bobalhões. Ela mandando em tudo.

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A cabeça de um dos dois, a do garotão, desaparece engolida pelo triângulo. A esposa, transformada em adolescente, revira o olho e dá uivinho. O marido se divide: metade quer se jogar pela janela e a outra quer bater uma e produzir muito creme gozando o espetáculo.

sábado, 13 de novembro de 2010

Começou como brincadeira

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Começou como brincadeira. E continuou como brincadeira. Nos fundos da academia de taekwondo, depois dos pontapés e hematomas, longe de olhares de homens, aliás longe dos quaisquer olhares, ninguém lembra quem teve a idéia de ficar só de calcinha e convidar alguma outra para uma briguinha-de-mentirinha – aliviada pelos acolchoados pelo chão e pelo fato de ser de mentirinha. Uma dava uma surra-de-mentirinha na outra e a perdedora-de-mentirinha gritava “Pára, pelamordeDeus, tem piedade! Eu faço tudo o que você quiser!” entre as gargalhadas próprias e das outras.

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Claro, nessas lutinhas rolava muita mão e coxa de mulher em lugares que a Nossa Santa Sociedade afirma que só deve rolar mão de macho. Mas eu tenho a filosofia: uma mulher está a fazer amor com outra mulher? Então as duas gostam de menina. Não estão fazendo? Então nenhuma das duas merece o esquisito nome de lés-bi-ca, por mais que pareçam estar fazendo.

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Tatiana, a Tatí, não era muito temida no Taekwondo mesmo, ela geralmente apanhava. Mas nas briguinhas era outra o assunto. Já eram conhecidas as calcinhas mais-para-tanga quase transparentes que apareciam quando ela abria o quimono quando surgia a idéia das lutinhas. Se eu achava esquisito? E quem sou eu para julgar a calcinha dos outros? E na saída muitas de nós éramos esperadas por maridos, namorados, noivos, até especiais amigos. Mas ninguém nunca se lembrou de ter visto Tatí desfilando com um ser de cueca ao lado. Isso gerava as conversas, será que ela é, como a cabeleira do Zezé? Olha, eu sou hiper-super-extra-de-esquerda-libertaríssima, votei no Plínio e adorei a propaganda de certo partido em que aparecia um casal gay. Se ela é ou não é, tou nem aí, como diz a canção boba.

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Eu ria a valer tomando uma Coca Zero e vendo uma engenheira casada de topless e uma acadêmica de psicologia com um conjuntinho sutiã-calcinha da Capricho no auge de uma lutinha, uma querendo esmagar os peitos da outra com os próprios, cada uma rindo e gemendo em proporção inversa à dor que sentiam. E veio Tatí, tanguinha de asa alta e bicos um tanto duros e róseos, querendo briga. Eram nove horas, academia esvaziando. Se fosse no dia anterior, seria diferente – meu namorado me esperara para conhecer motelzinho novo e senti a sua rigidez dentro de meu corpo durante duas horas e catorze minutos, com pouquinhos intervalos – é isso mesmo, meninos, se alguém pensava que eu tinha preservado minha pureza para você, pode tirar o cavalinho. É a vida, dura e cruel. E depois de uma noitada daquela, queria dar um intervalo em homem. Topei. Tatí cabelos estaqueados pretos na altura do ombro propôs que a vencida pagasse uma prenda, surpresa, no final. Topei, de novo. Não estava a fim de perder.

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Quase mudei de idéia na hora do acolchoado mesmo quando vi Tatí inteirinha, os amplos seios com uma marca bem definida de sutiã de biquíni pequenininho, os pés nus. Ela tinha uma tática vencedora: com prêmio de paciência, conseguia tirar a calcinha da adversária. E dava um jeito de encaixar as coxas na coxas da outra, até que encostava seus pelos levemente cor castanha nos pelos da outra. Aí era batata: Tatí sempre conseguia que a outra gozasse antes. Enquanto a adversária relaxava, avassalada pelas ondas de prazer, Tatí pulava sobre ela, apoiava os braços nos seios da outra equilibrando seu peso sobre os coitadinhos – e a dona dos ditos cujos pedia arrego.

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Estava decidida a não deixar Tatí usar essa estratégia e quando encontrei o corpo e senti o perfume de lavanda dos cabelos de minha adversária, deixei minha mão esquerda deslizar pelos pelinhos de sua coxa e encontrar a pecinha de poliamida verde que mal escondia o lugar onde minha amiga era mais mulher. Sem nenhum vestígio de piedade amassei o pano, transformei-o em tirinha e o puxei. Tatí piscou duas vezes e suspirou um par de ais, e confesso sem nenhuma vergonha que curti a dorzinha dela.

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Que não estava galinha-morta. Como vingança, Tatí cruzou os braços e pressionou-os contra meu peito, de forma que quanto mais eu a puxava, mais dor eu sentia. Acabei largando a tanguinha. Eu pensava num refresco mas Tatí transformou suas pernas em laço e me derrubou. Antes que pudesse pensar ela estava por cima de mim e senti algo áspero – eram os pelos de minha amiga, que como um raio jogara a tanga longe.

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Eu sabia a tática dela e estava decidida a não permitir, mas numa luta uma coisa é querer e outra é conseguir. Tatí conseguiu frustrar meus esforços de ficar por cima dela, e com uma mão livre conseguiu com paciência arrastar minha calcinha para o meio da coxa, depois para o joelho. Vendo que eu não conseguia mesmo impedir, decidi lutar como ele queria, e seja o que Deus quiser.

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- Vamos esfregar as xotas, Tatí.

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- Tudo bem – e me viu tirar a verde calcinha-tanga.

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Quando as duas que iam se encontrar se encontraram, senti por que Tatí ganhava sempre. Ela era quentinha, úmida como o colo de mamãe. Dava vontade de ficar ali para sempre. Mas eu sabia que aquela delícia era armadilha. Segurei um tornozelo dela e usando aquele apoio eu esfregava o mais rápido que podia, tentando forçar a boceta da minha amiga a gozar. Tatí era muito mais calma, e esfregava lento e ritmado, pressionando o corpo contra o meu, em contraste com meus movimentos afobadinhos.

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- Não vale, Tatí. Você tem experiência com mulher.

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- Descobriu minha arma secreta? – e riu sem parar de esfregar.

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Pensei em salgadinhos de rodoviária, pensei em discursos do ministro dos transportes, pensei até na careca de certo candidato derrotado. Pensei nas coisas mais sem graça que conheço mas não deu: sentia cada vez mais definida a fenda de minha amiga, e agora as duas já deslizavam uma na outra, as duas ensopadas de mel-de-mulher. Uma onda passou relaxando minhas coxas e uma gatinha lá perto miou duas vezes – e senti que o miado era meu. A danada conseguira fazer a minha gozar. Como raio Tatí cresceu por cima – eu instintivamente cobri meus bicos com os braços – mas aprendi da pior forma como é difícil fazer força quando se está gozando. Tatí conseguiu afastar um de meus braços e expôs um de meus pobres seios – que logo foi coberto pelo antebraço de minha adversária, que logo depois fez o mesmo com o outro e ficou apoiada só nas pontas dos pés e nos meus pobrezinhos, que sentiram o quanto pode ser pesada metade do peso de uma mulher de cinqüenta e três quilos.

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- Chega, Tatí. Perdi. Não agüento mais.

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Tatí desabou sobre mim rindo, os seios em cheio nos meus, me fazendo sentir os bicos rígidos.

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- Ufa garota, esse foi difícil! Desculpa a dor, tá?! – e era ria como ganhador de Mega-sena.

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- Não tem que se desculpar, disse eu tirando os seus cabelos que caíram sobre minha boca e sentindo meus seios latejarem docemente. – É luta. Vou fazer o mesmo com você na próxima.

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- Elas já devem ter te falado que eu gosto de mulher, não é? – disse mordendo o lábio, de súbito tímida.

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- E eu sou vascaína. Vamos, mulher, não quero saber da tua vida pessoal. Diz logo essa prenda que eu devo pagar.

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A essa altura só havia nós duas. Tatí me levou pela mão para um banquinho, sentou, me fez ajoelhar em frente a ela. Eu louca para saber o que eu devia fazer pela vencedora.

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Adivinha – disse, e afastou as coxas o mais que pôde.

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Adivinhei.

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Beijos, Bia

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Uma luta entre duas dondocas

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Késsia era filha de fazendeiro. Liane era filha de especulador. O pai de Késsia vivia em Dubai ou Hong Kong, sabe-se lá com qual loura escort de alto nível. A mãe de Liane depois do terceiro casamento namorava um garotão ex-sargento dos bombeiros. Késsia há três anos repetia a segunda série por falta. Liane era mais honesta: decidira oficialmente que fazer compras era muito mais interessante que geometria, e parara na terceira. E ambas tinham mais de dezenove anos de idade cada uma e tinham, portanto, idade de ser universitárias. Titias pressurosas tinham desistido: as duas moças eram filhinhas de papai rico vagabundas consumadas. Caso perdido.

Perdido não: a Késsia de cabelos pretos filha de fazendeiro e a Liane loura filha de vendedor de dinheiro tinham rotina puxada: dormir a manhã toda, fazer os cabelos e malhar na Jolly Fitness à tarde, combinar com amigas e amigos uma saída para a noite, atacar uma butique de shopping e dançar bate-estaca até às quatro da matina, que ninguém é de ferro e a vida é dura. Tanto Késsia como Liane já tinham agasalhado rígidos falos de namoradinhos entre as coxas, pois decidiram muito cedo que ser dodoca, usar Louis Vuitton e ser zero-quilômetro não tem graça nenhuma. Namoradinhos: os corpinhos magros e malhados e a conta bancária dos papitos garantia sempre interessados. E nada disso significava que fossem muito amigas – vivia uma tentando ganhar da outra – em namorados, em brilho nas festas, em tamanho de decote.
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Um dia Késsia e Liane acordaram às quatro da tarde, Késsia no quarto de Liane, do tamanho de três apartamentos da Cohab. Acordaram quase nuas, de tanguinhas bem entradas. Késsia acordou com raiva do mundo. E mais ainda quando ouviu:

- O Bruno de ontem tem dezoito centímetros, tamanho largo. Dizem. Vou namorar ele. Tou a fim. Vou comprar borrachudas tamanho extra...
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Késsia mal lembrava do Bruno de ontem de ou de qualquer dia, mas toda a raiva arranjou um objeto. Meio-dormindo falou:
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- Vai porra nenhuma. Ele é meu. Aperto tua xota que tu sai chorando.
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- Tá me desafiando?? – e Késsia viu Liane ficar em pé, os cabelos escorridos sobre os ombros, com só um triangulozinho de tecido semitransparente verde entre as pernas da moça a separá-la na nudez total.
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- Estou! – e Késsia se levantou e foi vez de Liane ver os cabelos encaracolados de Késsia e a tanguinha preta a se confundir com o preto da boceta à qual protegia. – e se jogou sobre a amiga, a tentar segurar-lhe os braços.
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Foi quando a jovem Késsia sentiu um ventinho: num pedaço de segundo, Liane com a mão em gancho afastara a tanga de Késsia e soltara seu joelho como um míssil direto na rachadura entre as pernas da garota. A ponta do joelho ainda roçara nos pelos da morena – mais um par de centímetros e Késsia estaria rolando de dor no chão.
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Késsia até o momento pensara que era meio brincadeira, mas decidiu que não era e agora era a vez dela. Foi a vez de Liane receber o petardo da joelhada da amiga, que só não pegou em cheio porque Liane se moveu no último instante e o golpe pegou mais sua coxa que sua boceta.
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Liane e Késsia se agarraram pela cintura e se aproximaram, roçando os bicos dos seios, uma a tentar forçar a outra a abrir as pernas o suficiente para acertar a joelhada na periquita. A luta agora era franca e as duas estavam conscientes que só uma das duas ficaria de pé. As duas tentavam acertar as coxas uma da outra e diziam uma da outra o que pensavam:
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- Cadela.
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- Cachorra.
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- Piranha.
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- Toma, vagabunda.
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Nenhuma conseguiu vantagem, e as duas respirando ar pesado de cansaço, pararam abraçadas, numa trégua, mas sem amor nesse abraço. Liane espalmou a mão direita e bateu com ela bem aberta no bumbum bronzeado da adversária, deixando cada um dos cinco dedos a sua marca. Késsia deu gritou fino e retribuiu, e foi a vez do bumbum de Liane receber todo o impacto da mão da outra. As duas batiam com toda a força alternadamente. A tática era que fazer com que os músculos da outra não agüentassem mais e relaxassem de tanta pancada, e cedessem. As duas encostavam no rosto uma no ombro da outra, as duas decididas a ganhar.
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- Putaquepariu – disse Liane, e com isso ela queria dizer “ai, que dor!”
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Mais dois ou três golpes e foi a vez da jovem Késsia dizer:
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- Putaquepariu – e com isso ela expressava que a luta estava difícil para ela também.
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O joelho direito de Késsia fraquejou mas sua rival nem pode comemorar pois os seus joelhos dobraram um pedaço de segundo depois, e as duas jovens caíram. Mas Késsia estava decidida a vencer de pé, no chão, de qualquer jeito, e fez as mãos em garra e tirou a própria tanga e antes que se passasse um segundo um dos bicos de Liane e um grande pedaço do seu seio estava dentro da boca de Késsia, que o chupava como a puxá-lo fora, nada parecido com os beijinhos que namorados já lhe tinham dado. Liane querendo equilibrar a disputa procurou o peito de Késsia e também o chupou.
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As duas moças no chão faziam uma à outra retorcer de dor, uma decidida a só largar o peito da outra depois que a outra estivesse vencida. Só então Liane entendeu a tática de Késsia – esta tirara a tanga, afastara bem as pernas e tocava uma siririca – dando-se prazer e se consolando da dor que sentia no bico chupado. Liane arrancou sua própria tanga e seus dedos procuraram a própria racha úmida, para também se consolar.
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Késsia procurou diversificar seus golpes, dando chupões alternados em cada um dos seios de Liane, enquanto esta, menos imaginativa, se concentrava num só da amiga. Mas Liane era valente: chupo o quanto pôde até que não teve mais forças para chupar, nem para mais nada. Largou o seio da amiga. Viu Késsia dolorida mas ainda disposta para a luta, chupando-lhe alternadamente cada um dos bicos. E deitou de costas, sem forças. Continuar a briga seria só apanhar, sem esperança de virar o jogo.
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- Chega, garota. Não agüento mais. Perdi.
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E viu Késsia dar dois pulos, os seios avermelhados dançando feito loucos, o braço erguido em sinal de vitória.
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E Késsia via o corpo da adversária vencida, os seios doloridos, os pelos da boceta loura balançando ao vento do ar condicionado. E achou a vitória maaaravilhosa. E não sabia o que fazer com a perdedora. Nem se lembrava mais por que tinha começado, mas estava adorando o final. E antes que pensasse mais, decidiu num meio de comemorar a vitória: sentou-se sobre a cara da adversária, de forma que o nariz da outra encaixou bem entre suas coxas.
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Continuou a fazer sinais de vitória até que sentiu sensação maravilhosa – era a língua de Liane, que suave lhe lambia os pelos negros, a suave rachadura entre eles. Divertida a princípio, em meia dúzia de segundos Késsia se deixou derreter, e seu néctar de amor escorreu doce sobre o nariz e as bochechas de Liane, que nem por isso parou. Késsia reparou no corpo da outra – a cintura fina, os quadris largos, a tira de pelos louros guarnecendo a boceta, e sentiu pela primeira vez o que nunca sentira, tesão por outra mulher. Para Késsia, era a descoberta de um novo mundo, maravilhoso.
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Uma luta entre duas garotas de programa

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Adriana e Karla vieram do interior para fazer faculdade na capital. O dinheiro não faltava mas também estava bem longe de sobrar. Adriana cabelos longos-e-encaracolados não era candidata à canonização – sua suave xoxota já tinha sido romanticamente penetrada tempos atrás por um priminho em segundo grau às margens do Paraibuna. A candidatura a santa de Karla também era muito improvável – ela tirara uma calcinha verde-desbotada para um amiguinho num motel de nome idiota chamado Styllus, na beira da BR.

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Adriana era saideira – ia para uma festinha, sempre conhecia um carinha, e muitas vezes rolava um motelzinho – sempre com a borrachuda, que ela era uma moça consciente. E um dia teve uma idéia – por que não pedir uma grana? E acabou sendo segunda-namorada – sabendo que o era – do filho do dono da fábrica de plásticos. O cara era sincero – tinha de casar com a namorada chata – questão de troca de ações e debêntures, sogro rico-de-podre, etc. Mas queria continuar com ela também, para finalidades de cama. O cara era generoso - fazia questão de ficar com os carnês da faculdade e do aluguel, e ainda uma conta corrente numa butique de shopping – tudo em troca de umas puladinhas numa cama redonda de motel a cada quinze dias, e da boca fechada. Adriana também foi sincera – disse que não podia prometer exclusividade total. E toparam.

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Diante do exemplo da amiga, Karla também achou a sua boca, mais conservadora: um médico-e-fazendeiro, senhor muito educado, que vinha todos os meses resolver negócios de arroba de gado e esquecer as mágoas do casamento chato entre as perninhas docemente abertas da jovem amante. Esse depositava todo mês na conta dela uma graninha que podia manter umas três Karlas.

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Em suma, Adriana e Karla se tinham tornado umas doces, suaves e lindas putinhas. E como nenhuma prometera exclusividade, Karla arranjou um amiguinho-especial, um lourinho. Moravam em apartamentos vizinhos num prédio na Independência.

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Um dia, ao chegar em casa, um passarinho disse a Karla para olhar no buraco da fechadura de Adriana. No começo não viu bem – alguma coisa pressionava alguma coisa na cama da amiga. Depois foi se definindo – era algo longo e cilíndrico, que entrava e saía de algo preto e triangular. E depois entendeu – o cilindro era o falo de Beto, o amigo. E o preto era a fenda entre as coxas de Adriana.

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Seguiu-se a previsível cena de novela: sua isso, sua aquilo, ficava difícil as duas trocarem o clássico Sua-galinha-Sua-puta – já que as duas sabiam que eram isso mesmo. Beto tentou dar uma de apaziguador.

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Cai fora – disseram. – Isso é coisa de mulher. Vamos resolver.

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E resolveram com sinceridade: Karla disse que Beto tinha dezenove centímetros e meio, ficava rígido por um par de horas e a obedecia em tudo, e ela não estava a fim de largar o osso. E Adriana disse as mesmas coisas, e ainda:

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- Só tem um jeito de resolver isso – uma briga. Quem continuar de pé fica com a torre do cara.

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E foi tão concordadíssimo que exatos quatro minutos depois as duas se encontravam bem no meio do tapete falso-persa da sala, as duas apenas com os paninhos fininhos das calcinhas e dos sutiãs a separá-las da nudez total.

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- Se rende, cadela – disse Karla.

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- Se rende você, cachorra – disse Adriana, e sua mão esquerda rápida como cobra agarrou a frente da tanguinha cor-de-rosa da adversária, que, amassada, se transformou em tirinha, que foi afundando num pequeno bosque alourado, os pelos lourinhos entre as coxas de Karla, que se fecharam e engoliram o agora quase fiozinho rosa, que a mão de Adriana puxava sem qualquer vestígio de dó.

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Karla trancou os dentes e fechou e encheu os olhos de rugas enquanto Adriana deu-lhe um par de beijos na nuca, curtindo a sua submissão.

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Em retaliação, as mãos de Karla procuraram o triângulo de tecido cor vinho quase transparente que cobria o seio direito da amiga. Puxou-o de cada lado e o sutiãzinho ao se rasgar mostrou um bicão escuro e grande – quase o dobro dos bicos pequenos e róseos de Karla. Meio segundo depois ele desapareceu engolido pela boca de Karla, que sugou o peito da amiga como quem desentope pia – e foi a vez de Adriana trancar os dentes e soltar dois longos ais, e largar a tanga de Karla, que solou o peito de Adriana.

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Adriana buscou com a própria boca a boca da amiga mas não havia amor nesse beijo. Adriana sugou a língua da outra como a tentar arrancá-la – ao menos era essa a sensação de Karla que deu urrinhos de dor – e tentou responder tentando também chupar-meio-arrancar a língua da morena. As duas colaram os corpos inteiros nessa briga-de-beijo até que Karla reunindo todos os pedaços de força rompeu o clinche.

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- Confessa bem alto que é uma puta e que se deu mal, Karlinha! Aí tu pára de apanhar.

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Karla chupou o ar pesadamente um par de vezes e ainda gritou um “Nunca!” enquanto se jogou sobre sua adversária, num nada-ou-tudo. Notara que se continuasse deixando a iniciativa com Adriana, em três minutos estaria caída vencida no tapete. Rápida abriu seu sutiã que mostrou um par de seios maiores que os de Adriana, embora com os bicos menores, e arrancou os frangalhos do sutiã da outra, e abraçou Adriana, e encostou os bicos nos bicos da amiga, e apertou-a contra si o mais que pôde. Adriana só então entendeu a briga-de-peito e abraçou também Karla, procurando amassar-lhe os seios contra o próprio peito.

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Agora era uma questão de quem agüentava mais a dor. As duas gemiam, cada uma prometendo a si mesma agüentar mais um segundo esperando que a adversária cedesse antes. Adriana espalmou as mãos e empurrou a amiga com a força que lhe restava e respirou pesado três vezes.

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Karla percebeu que tinha feito algo certo – o ponto mais sensível de Adriana eram os seios. Sem dar à amiga tempo de se recuperar, e embora seus bicos rosados também latejassem de tanta dor, Karla mergulhou e com mãos certeiras enganchou as mãos nas tiras e baixou a tanga de Adriana, tão rápido que esta quando entendeu sentiu o vento batendo sem obstáculos em sua racha. Mais rápida ainda Karla se ergueu e sua mão esquerda firme sentiu a maciez dos pelos pretos – dera um tapa na racha de Adriana, seguido rápido de outros dois e de um grito fino da dona da boceta que estava a apanhar.

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Adriana tentou retaliar tirando a tanga da adversária, mas esta já antecipara o movimento e abria as pernas para evitar – e Adriana juntou as mãos numa das tiras laterais da tanga da outra, a tentar rasgá-la. Mas os golpes nos seios que levara começavam a cobrar seu preço. As mãos da jovem Adriana tentavam reunir forças, mas apenas tremiam, atrapalhadas pelos seios que pareciam ter o dobro do tamanho de tanta dor. Enquanto isso a mão de Karla aplicava tapas monótonos e ritmados, com força não exagerada mas firme, na boceta de Adriana.

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Finalmente a tanguinha de Karla se rasgou, mas a mão de Adriana só conseguiu aplicar-lhe dois golpes leves como carícias, bem diferente das pancadas rijas que sua fenda cor-de-rosa levava. Adriana resolveu decidir a luta, imaginou outro golpe e tentou aplicá-lo, mas esqueceu de avisar às próprias pernas, que tremeram e se dobraram, recusando-se a continuar a sustentá-la, e a jovem Adriana agora via, de baixo para cima, deitada no tapete, o sorriso vencedor da adversária. E se surpreendeu ao se ouvir dizer:

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- Chega, Karlinha, eu perdi. Você foi mais forte.

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Karla deu dois pulos de alegria, beijou duas vezes o rosto da perdedora e chamou o prêmio, Beto, no quarto ao lado. Disse que ficasse rijo e horizontal logo, que ela iria curtir o prêmio ali mesmo, na frente da vencida. Que ao aceitar o desafio sabia que isso poderia acontecer. Só uma das duas ganha. É cruel, mas lindo.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Queridas e queridos,

Por estes meses foi um prazer escrever aqui para vocês. Era uma alegria ver o índice de visitantes aumentando nas segundas e nas terças, e principalmente ver os comentários. Gosto de imaginar que proporcionei momentos de alegria às pessoas, prazer a dois, a um, a três, a trinta eheh.

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Tudo na vida muda, e neste momento estou enforcadíssima com mudança de emprego. Quem me acompanha sabe que prometo pouco para poder cumprir sempre. E não poderei ter o prazer de continuar com esse blogue até abril de 2011. Então voltarei, talvez neste mesmo formato, talvez não.

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Agradeço a toooodos os que comentaram, e a todos os que leram. Amem muito, sejam felizes, e eu respondo a e-mails sim. Deixo vocês com o primeiro capítulo do meu livro, a coisa mais real que escrevi. Sejam felizes, amem muito sempre com camisinha, e 2011 está logo aí! Eheh


Beijos e beijos,


Beatriz


A PROPOSTA DE LUDWIG (Como tudo começou)


Nunca pensei em ser dondoca.


Sempre vi o trabalho como algo natural. Filha de contador, filha de professora, o ciclo formatura / carteira de trabalho / vestido de noiva / aniversário de filho era para mim inevitável como respirar. Meus irmãos escolheram megabytes ou índices de liquidez corrente. Eu escolhi Machado e Graciliano. E pensei desse jeito até um mês de dezembro. Então começou minha aventura, que você vive a partir de agora.


Faltavam vinte e dois dias para minha formatura quando saí pelo portão principal da Universidade. Estava atrapalhada por dois Dom Casmurro de exemplares grossos que tinha emprestado na biblioteca do Instituto de Humanas. E mais três Os Bruzundangas, e mais um Bom Crioulo. O Colégio C... estava com um programa de ensino de literatura em pequenos grupos. Eu entusiasmada com meu estágio lá.


Carregada de realismo e naturalismo mal percebi o carro com velocidade de tartaruga. Seguiu-me desde a esquina da Pedro Gerheim até um par de ruas depois. Não dei importância.


E nem o percebia no dia seguinte. Meninos de dezesseis podem ser apaixonados por Machado mas são mais ainda por carros. Discutíamos na frente do colégio se Capitu traiu e um dos rapazes apontou o Mercedes prateadinho. O setor masculino o reverenciou como manifestação do Olimpo, as meninas torceram o nariz. O motorista pareceu intimidado. Arrancou, evitou passar em frente a nós, vidros levantados.


Encontrei-o parado na direção da favelinha onde dava aulas de pré-vestibular como voluntária, meia dúzia de horas depois. Não se moveu.


Dia seguinte mandei um de meus alunos como espião e ele informou que lá estava o alvo, como chamou. Dispensei a turma dez minutos mais cedo. Plano feito. Saí pela entrada lateral, dobrei a esquina e lá estava, porta aberta, sem ninguém, em frente a uma birosca.


Gente há que acredita em sorte. Eu creio em intuição. Intuí que eu não estava ameaçada. Se alguém ameaçava, era eu. Mineiros são loucos por branquinha. E o dono da birosca era daqueles chatos, mostrava o litro e insistia e insistia. O comprador ou vítima dizia não obrigado com um português atolado. Quis sair, deu de cara comigo e minha vida nunca mais foi a mesma.


Era um palmo mais alto que eu. Os olhos azuis e a cabeça comprida me bateram na hora: estrangeiro. Jeans e camiseta que nele tinham a elegância de smocking. Olhos de menino pego roubando o doce de goiaba. Por um par de segundos olhamos um a cara do outro. Ofereceu-me a mão com a naturalidade de quem se apresenta à Rainha. Disse: Ludwig! Ri.


- Na Faculdade, no colégio, no voluntariado. Está me seguindo?


Afagou coceira imaginária na nuca. Não conseguia me sustentar o olhar.


- Sim – disse ele.


- Por quê?


- Que tal se disser que acho você bonita?


(Apelando para minha vaidade! Devia se envergonhar!)


- Vai comprar a branquinha do homem?


Duas notas pequenininhas trocaram de mãos e Ludwig arremessou o litro numa lixeira dois passos depois. Trocamos oficialmente de nome e telefone. Recusei a oferta de carona. Agradei ao recusar, gostou de minha cautela.

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Todo namoro é um ritual. Bares na subida da São Mateus, Chopin e Beethoven no Cine-Theatro Central, caminhadas ao mirante do Morro do Imperador. E as apresentações às famílias ou melhor à minha, pois a de Ludwig está a uns oito ou nove mil quilômetros de distância. Nasceu em Hannover há quarenta anos, há quase dezenove veio para cá e não quis mais sair. Dirige a fábrica com mão suave. Apaixonado por polias e voltagens, ao voltar do trabalho esquece as máquinas, uma das coisas que me fascina nele.


Nosso primeiro beijo foi três dias depois de começarmos a namorar. E um par de semanas depois sua mão deslizou pelo meu ombro, seguiu a curva, escolheu o caminho por baixo do top verde-enjôo, parou sobre o bico e deu um par de voltinhas. Aos catorze anos eu já decidira que os sutiãs eram um trambolho desnecessário e a mão dele se aproveitou de tal decisão. Não me incomodei nem um pouquinho-quinho.


Semanas seguintes tops e microblusas também se foram revelando demais. Na verdade só uma tanguinha cor-de-rosa com duas inevitáveis estampas de coração me separavam da roupa de Eva quando ele pronunciou a palavra casamento.


Senti a pancada. Nunca pensara. Era como uma roupa cujo manequim não cabe, você não compra e não pensa sobre.


Perguntei se queria toda a verdade. Se queria casar comigo, que fosse sem zonas de sombra. Ele disse Sim. Revelei dois namoricos da pesada. Contei de uma menina de dezoito num motel com o estúpido nome de Styllus a olhar mais curiosa que excitada o falo muito duro do coleguinha de Lingüística Românica. E que essa foi a primeira de quatro com o primeiro namoradinho, e depois teve mais cinco com o segundo, cada uma revelada com detalhes de radiografia. Falei de calcinhas sendo tiradas em bancos de fuscas, de laços de calções masculinos sendo desfeitos com os dentes.


Calei. Esperei a tríade vagabunda-cadela-vadia seguida da partida-para-nunca-mais. Por um par de milênios não abriu a boca. Mas abriu. E disse:


- Na terceira transa com o primeiro namorado, afinal você chupou ou não o rapaz?


Minha vez de abrir a boca, de espanto. Num pedaço de segundo repassei tudo e lembrei que esquecera aquele detalhe. Ludwig me ouvira como um aluno de declinações do latim. Derramei o balde, verdade em excesso:


- Chupei e muito. Não era pequeno.


É agora, pensei. Tinha sido noiva por trinta e sete minutos.


A tríade não veio. A mão tremida engatou a marcha. Deixou-me em casa. Deu a volta para abrir-me a porta, cavalheiro. Eu me roía por ter feito sofrer uma pessoa a quem queria bem. Para me castigar, encarei-o. Caí o queixo. Não vi sofrimento. Não havia sofrimento.


Havia felicidade.

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Pensei que a espera seria pelo restante dos séculos. Mas foram só três dias. Ludwig me ligou. Tinha uma surpresa, voz ansiosa de vestibulando devorando lista de aprovados.



A surpresa era uma caixinha. Abriu-a, duas alianças dentro. Meu lado Cinderela deu um pulo. Já nele não havia euforia, havia ansiedade como se o vestibulando agora chegasse às últimas vagas sem ver seu nome. Ele disse que agora era a vez dele ser sincero.


Começou: amava-me, queria igreja, véu, grinalda, e que eu fosse fiel.


- Serei – disse eu. – Nunca terei outro.


Engasgou, tossiu, disse que não era bem aquilo. Ou melhor, era sim, mas. O conceito dele de fidelidade era: eu sempre faria amor com ele, só com ele... e engasgou de novo, ...mas o corpo poderá ser de outro homem.


Demorei uns cinco segundos para juntar os pedaços.


- Você quer que eu faça amor com outros homens?


- Não, não. Comigo.


Relaxei.


- Mas através do corpo de outros homens.


Tensionei de novo. Detalhou: Não precisa ser na minha frente. Pode ser longe de mim, desde que me conte tudo. E não precisa ser com outro homem. Podem ser mulheres, ou casais. E quem vai fazer amor seremos nós dois. Fidelidade total. Não dê importância aos outros homens ou seja lá quem. São corpos que utilizaremos para o nosso prazer. Mas amor, só entre nós.


Popó e Maguila me acertaram juntos na cara. E Ludwig ainda tinha um segundo pedido. Ele sabia o quanto eu gostava de ensinar. Disse que eu poderia pegar algum trabalho voluntário. Mas ele ganhava o suficiente mesmo que fôssemos duzentos, quanto mais dois. Eu dedicaria meus dias às compras e ao amor. Essa seria a minha vida com ele.


Teria aplicado um tapa de mão cheia em qualquer pessoa do Planeta Terra que não ele. Naquele momento eu descobri que amava Ludwig. Saí em silêncio.

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Tentei voltar à minha vida. Colégio, voluntariado, família, leitura de Drummond, planos de mestrado. Evitava olhar as fotos de formatura. Lá estava Ludwig, feliz, nós felizes, eu com a ridícula beca de babador.


Ele era uma página em minha vida que eu tentava virar mas parecia colada. Particularmente tentava virar a página da proposta. Repetia a palavra absurdo. Absurdo, absurdo. Como ele podia me fazer uma proposta absurda daquelas?


Bronzeado de surfista, músculos de astro do Big Brother, o garotão pediu meio balde de morango com chocolate na sorveteria na Rio Branco. Uns dezenove anos, por aí. Eu a duas mesas de distância, delirei. Marido permissivo, chave do Vectra na mão, eu passaria um plá, o levaria para casa, em frente à sagrada cama de casal eu faria cair esse jeans e o resto, só uma coisa se ergueria, muito rígida, e meu marido aparecendo de surpresa, pasta na mão, rindo a viver. Absurdo... era isso que Ludwig queria? O garotão saiu e no mesmo lugar veio uma loura. Jeitão de separada e era separada mesmo, ouvi-a recitar ao celular, “meu ex-marido”. Óculos escuros, pediu só sabores diet. Delirei de novo. O garotão ao lado da cama desapareceu e se transformou nela, cabelo solto, óculos jogados de lado, abrindo a blusa como stripper me revelando a inexistência de sutiã. Nós duas. E o garotão se rematerializou e abraçou a nós duas. Nós três. Engasguei do milk-shake de baunilha com adoçante.


Decidi que era fantasia e que fantasia não paga pedágio. Delirava em tudo. Em casamentos me imaginava acordando abraçada de recheio aos corpos nus da noiva e do noivo. Imaginava amigas com olhos em faíscas me convidando a uma lua-de-mel de fim de semana com o marido, ou com elas mesmas. De absurda a proposta foi passando a estranha, de estranha a incômoda, depois só meio isso.


Recebi rosas cor-de-paixão e um bilhete perfumado: “Amo-a”. Devolvi o bilhete com uma palavra rabiscada ao lado: “Também.”


Casamo-nos numa igreja de formato estranho em Juiz de Fora.